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Os Ensinamentos de Jesus e a Tradição Esotérica Cristã As chaves que abrem o reino dos céus na Terra Autor: Raul Branco V. O MÉTODO DE TRANSFORMAÇÃO11. OS PRIMEIROS PASSOS Aspiração ardente A força do desejo, quando redirecionada para a satisfação dos anseios mais elevados da alma humana, torna-se o combustível da busca espiritual. Transforma-se, então, numa aspiração ardente, aludida nas palavras do Mestre: “Pedi e vos será dado; buscai e achareis; batei e vos será aberto; pois todo o que pede recebe; o que busca acha e ao que bate se lhe abrirá” (Mt 7:7-8). Uma aspiração ardente pelas coisas do alto é mencionada em todas as tradições como necessária para se alcançar a iluminação espiritual. Nos “Ioga Sutras de Patanjali”, é dito que essa aspiração é um fator necessário e pode mesmo ser suficiente, se tiver a força e a constância necessárias para vencer os mais difíceis obstáculos. A atitude do buscador é determinada por seu entusiasmo. [1] Como em tudo na vida, quanto mais energia dedicarmos a um empreendimento, maior a probabilidade de conseguirmos nosso objetivo. É bem verdade que toda uma série de outros pré-requisitos e técnicas apropriadas deverá ser levada em consideração, porém, quando o indivíduo está engajado de todo coração, seu entusiasmo e dedicação o levarão a procurar e desenvolver os meios que porventura sejam necessários para alcançar sua meta. Paulo fala do anseio insopitável para alcançar o estado do Reino dos Céus quando escreve: “Gememos pelo desejo ardente de revestir por cima da nossa morada terrestre a nossa habitação celeste” (2 Cor 5:2).A dedicação entusiástica, (virya, em sânscrito) é uma das seis virtudes (paramitas) cultivadas no budismo mahayana como método para alcançar a Iluminação. Alguns autores referem-se a essa virtude como ‘energia’: “Os três tipos de energia superam três fraquezas: a primeira fraqueza é a da mente que não se volta para o Dharma (a doutrina budista); a segunda é a da fadiga que nós experienciamos quando a praticamos; a terceira é a da dúvida que temos em nossa capacidade de atingir o alvo do Dharma. A pessoa que deseja atingir o topo de uma montanha deve, primeiro, voltar-se para a Senda; segundo, continuar a não se entregar à preguiça, e terceiro, não vacilar nem pensar: ‘isto é possível para pessoas fortes, não para mim’.” [2][1] A Different Christianity, op.cit., pg. 229. [2] Geshe Rabten, A Senda Graduada para a Libertação (Brasília, Editora Teosófica, 1993), pg. 74. _____________________________________
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