|
Os Ensinamentos de Jesus e a Tradição Esotérica Cristã As chaves que abrem o reino dos céus na Terra Autor: Raul Branco VI. AS CHAVES DO REINO DOS CÉUS25 - PRÁTICA DAS VIRTUDES Equilíbrio e moderação Foi dito que a prática das virtudes atua como um mecanismo de controle, um freio confiável na tortuosa estrada que conduz ao topo da montanha da realização espiritual. Nesse caso, o equilíbrio e a moderação funcionam como um freio motor, que impede as derrapagens e quedas nos precipícios do desequilíbrio e do fanatismo que possam surgir no caminho apertado de que fala Jesus. Buda, por sua vez, recomenda a seus seguidores o caminho do meio, a senda que evita os extremos de licenciosidade e austeridade. A disciplina de vida necessária para o autocontrole não pode descambar numa frenética autoflagelação. Os tristes espetáculos de masoquismo que ocorrem com freqüência nas romarias, com fiéis cumprindo promessas insensatas, são sinais de uma religiosidade fanática e desorientada e não de uma espiritualidade sadia. Outras tradições orientais também postula o equilíbrio, como podemos ver no Bhagavad Gita: “Executa a ação! Enquanto isso ocorrer, continua unido ao divino, renunciando a todo apego, equilibrado no sucesso e no fracasso. O equilíbrio é a yoga.” [1]No caminho da perfeição o homem deve aperfeiçoar todos os aspectos de sua vida. Assim, o devoto não pode passar dia e noite louvando a Deus diante de um altar, esquecendo suas obrigações para com a sociedade e até mesmo o cuidado do corpo. O estudioso não pode ficar o tempo todo grudado nos livros, ignorando seus deveres e as necessidades de seus familiares. Precisamos usar o discernimento para concentrarmos energia no ideal espiritual sem, contudo, comprometermos aspectos importantes da vida pelos quais somos responsáveis, inclusive a saúde de nosso corpo, o bem estar de nossos familiares, as necessidades de nossa comunidade. Devemos, acima de tudo, cumprir nossos deveres, pois esses são a base da vida espiritual. Quando fazemos isso e aspiramos ardentemente servir a Deus, o nosso ambiente exterior vai sendo moldado, aos poucos, refletindo melhores condições para nossas necessidades espirituais do momento. Como a vida é um fluxo, o que é bom para nós hoje, estará ultrapassado no futuro. Novos desafios ser-nos-ão apresentados então. A moderação deve ser exercida em todos os sentidos, a começar pelo desfrute dos prazeres naturais que a vida nos proporciona, como por exemplo a comida. O prazer do paladar é lícito, o que não é aconselhável é a repetição imoderada da comida, descambando para o pecado da gula. Sempre que nos dedicamos de forma excessiva a alguma atividade e até mesmo ao exercício de uma virtude, chegará o momento em que um desequilíbrio será criado em nossa vida, demandando uma ação corretora. Assim, excesso de paciência gera preguiça e covardia, excesso de severidade na disciplina gera crueldade, excesso de compaixão estimula a injustiça, e assim por diante. Na tradição cristã, a moderação e o equilíbrio sempre foram considerados como virtudes a serem cultivadas. O apóstolo Paulo, em particular, exortava seguidamente os membros de suas comunidades nesse particular: “Que a vossa moderação se torne conhecida de todos os homens” ( Filip 4:5) “Deus não nos deu um espírito de medo, mas um espírito de força, de amor e de sobriedade” (2 Tim 1:7). “Exorta igualmente os jovens, para que em tudo sejam criteriosos” (Tit 2:6). [1] Bhagavad Gita, op.cit., cap. 2, vers. 48. _____________________________________
Nosso Endereço:
|