Os Ensinamentos de Jesus e a Tradição Esotérica Cristã

As chaves que abrem o reino dos céus na Terra

Autor: Raul Branco

VI. AS CHAVES DO REINO DOS CÉUS

24 - RITUAIS E SACRAMENTOS 

Rituais internos e externos 

Todas as tradições religiosas e esotéricas valem-se de rituais para estabelecer uma vibração elevada e direcionar energias para facilitar a expansão de consciência dos participantes. A milenar tradição dos mistérios sempre se valeu de rituais, ou teurgia, para a realização de seus propósitos.[1] Com o passar do tempo, algumas dessas tradições julgaram por bem instituir não só Mistérios Menores, de caráter preparatório para os Mistérios Maiores, mas também cerimônias abertas para o grande público. Nessas, obviamente, não havia exigência de segredo. 

Pouco se sabe a respeito dos rituais e dos mistérios das verdadeiras tradições ocultas, pois seus praticantes sempre mantiveram em respeitoso segredo suas práticas, em obediência ao juramento de total sigilo que devia ser feito como condição de acesso aos mistérios. Por isso, sabemos simplesmente que existiam e ainda existem mistérios, e naquelas sociedades em que algumas práticas exotéricas, ou populares, foram instituídas, algo mais é conhecido do público, mas nunca os detalhes dos rituais, principalmente as palavras e sinais de poder que são transmitidos de boca a ouvido pelos oficiantes.  

Durante seu ministério, Jesus instituiu rituais e mistérios, ou sacramentos. Seguindo a antiga tradição oculta, ele também exigia de seus discípulos estrito segredo sobre esses mistérios, como atesta a seguinte passagem: 

Jesus disse: “Eu digo meus mistérios aos que são dignos de meus mistérios. Que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita!” (Evangelho de Tomé, vers. 62).[2] 

Com isto Jesus indica que os mistérios só eram concedidos aos discípulos mais avançados, que estavam suficientemente purificados e comprometidos com a vida espiritual. O Mestre pedia discrição, a fim de que os irmãos da mão esquerda não pudessem se valer dos conhecimentos que conferem poder para seus fins nefastos. 

Mais tarde a igreja romana, herdeira da tradição externa dos ensinamentos populares, resolveu adaptar alguns dos rituais e sacramentos internos ao uso público, resultando, com o passar do tempo, na missa e nos sete sacramentos conhecidos atualmente. Esses rituais apresentavam várias características regionais. Ainda hoje os rituais da Igreja Ortodoxa Oriental são consideravelmente diferentes dos rituais da Igreja Católica Romana, particularmente depois das reformas recentes. É sabido que uma das razões da Reforma protestante instituída por Lutero e Calvino dizia respeito à natureza do ritual da igreja romana. Com a Reforma, as diferentes seitas protestantes passaram a oferecer a seus fiéis um ‘serviço religioso’ e não o ritual da missa.


[1] Vide Samuel Angus, The Mystery-Religions and Christianity (N.Y.: Carol Publishing, 1996), cap. II.

[2] O Evangelho de Tomé, em The Nag Hammadi Library, op.cit., pg. 133.

 

_____________________________________

Nosso Endereço:
Rua Anita Garibaldi, 29 - 10º andar - Centro
CEP 01018-020 - São Paulo, SP - Brasil